Você, que é empresário, deve saber a importância de antecipar possíveis ameaças e implementar medidas para proteger os seus colaboradores. Neste cenário, fazer um mapa de risco não é apenas uma obrigatoriedade, mas uma etapa fundamental para elaborar estratégias bem-sucedidas na gestão de SST.
O modelo é imprescindível para capacitar equipes a respeito do layout de segurança e medidas que ajudam a preservar a integridade física dos colaboradores. Afinal, entre 2016 e 2025, foram registrados mais de 6,4 milhões de acidentes laborais junto ao INSS/eSocial, com cerca de 27.486 óbitos, segundo dados do Governo Federal.
Diante dessa realidade, toda iniciativa capaz de prevenir impactos na vida dos trabalhadores deve ser levada a sério. Além disso, a empresa precisa lembrar que pode lidar com prejuízos financeiros e reputacionais..
Promover a conscientização individual e coletiva sobre o bem-estar no trabalho é indispensável. Essa postura é a base de iniciativas como o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), a Análise Preliminar de Risco (APR) e a atuação da CIPA.
Para descobrir como aplicar essa representação gráfica na sua operação e conhecer todos seus detalhes, basta ler este guia prático até o fim.
Aproveite a leitura e fique por dentro!
Sumário
TogglePrincipais aprendizados
- O mapa de riscos é uma representação gráfica do layout da empresa que incorpora sistemas de cores e símbolos para identificar perigos e riscos em cada ambiente ou setor.
- Os graus de risco são classificados em 5 grupos: físico (verde), químico (vermelho), biológico (marrom), ergonômico (amarelo) e acidentes/mecânico (azul).
- A simbologia do mapa de riscos transmite de maneira intuitiva o grupo e o potencial impacto de cada ameaça. Dessa forma, ajuda na conscientização e sensibilização dos colaboradores.
- Essa ferramenta é estritamente visual e participativa, diferentemente de estratégias como PGR e CIPA. No entanto, o mapeamento e a sinalização de riscos fazem parte do ecossistema dessas iniciativas.
O que é o mapa de riscos?
É um modelo visual simplificado que serve para identificar os perigos e riscos de cada ambiente interno de uma organização. Marcado por um código de cores e símbolos, o mapeamento atribui o tipo de ameaça e o nível de impacto que acidentes ocorridos em cada setor podem causar.
Essa representação facilita a localização e o deslocamento dos funcionários no dia a dia. Ao mesmo tempo, sinaliza os riscos com objetividade. Basta conferir o plano e a legenda para saber informações essenciais para a prevenção de incidentes laborais e problemas internos.
Conforme mencionado, a quantidade diária de ocorrências no trabalho é alarmante e implementar iniciativas para mitigá-las é fundamental. Consequentemente, o layout de segurança tem grande importância estratégica.
Com a facilidade de uma visualização gráfica, é possível que os profissionais estejam mais atentos às questões fundamentais de cuidados com a segurança e, assim, evitar problemas. Por exemplo, ao perceber que determinado ambiente oferece riscos de patologias auditivas e, ao mesmo tempo, químicas, ele sabe que precisa se prevenir com EPIs focados nas duas questões.
O modelo adotado atualmente é obrigatório e definido pelo Departamento Nacional de Segurança e Saúde do Trabalhador, do Ministério do Trabalho. Assim, precisa ser adotado em todos os negócios que têm Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA).
O que deve constar no mapa de riscos por setor?
O documento precisa incluir:
- questões diretamente relacionadas à execução do trabalho (como uso de equipamentos, materiais, instalações, manipulação de matéria-prima, entre outros);
- situações atreladas à logística de trabalho (por exemplo, rotinas, arranjo físico do espaço, postura, treinamentos, as atividades realizadas, entre outros).
Por que elaborar um mapa de riscos é tão importante?
Elaborar o gráfico de riscos pode:
- diminuir os índices de acidentes de trabalho;
- conscientizar os profissionais sobre os perigos operacionais;
- evitar doenças ocupacionais ocasionadas pela rotina do profissional;
- evitar multas e sanções legais (que podem incluir agravantes em caso de acidente de trabalho na ausência do mapeamento);
- manter a credibilidade da empresa no mercado;
- melhorar a qualidade de vida, saúde e segurança dos trabalhadores no dia a dia, a fim de proteger a sua integridade física.
Como é a simbologia do mapa de riscos?
As cores usadas para representar cada grupo de ameaças são verde (físico), vermelho (químico), marrom (biológico), amarelo (ergonômico) e azul (mecânico). Além disso, a simbologia do mapa usa círculos pequenos, médios e grandes para classificar a gravidade e a facilidade de controle por grau de risco.
Para facilitar a compreensão, vamos separar cada abordagem. Primeiramente, o código de cores e os grupos funcionam conforme a tabela a seguir:
| Grupo de Risco | Cor Correspondente | Exemplos de Agentes e Situações |
| Grupo 1: Físico | Verde | Ruído, vibrações, radiações ionizantes e não ionizantes, temperaturas extremas (frio/calor), pressão anormal. |
| Grupo 2: Químico | Vermelho | Poeiras, fumos, névoas, neblinas, gases, vapores e substâncias químicas tóxicas ou corrosivas. |
| Grupo 3: Biológico | Marrom | Bactérias, fungos, vírus, parasitas, protozoários e bacilos. |
| Grupo 4: Ergonômico | Amarelo | Esforço físico intenso, levantamento de peso, postura inadequada, ritmo excessivo, repetição de movimentos. |
| Grupo 5: Acidentes / Mecânico | Azul | Arranjo físico inadequado, máquinas sem proteção, iluminação inadequada, risco de incêndio, ferramentas defeituosas. |
Em relação ao tamanho dos círculos e ao nível de perigo, a proporção é a seguinte:
- círculos pequenos: risco leve ou pequeno, facilmente controlado e de baixo impacto;
- círculos médios: risco médio, exige atenção constante, medidas coletivas e individuais;
- círculos grandes: risco alto ou grave, com capacidade de provocar lesões severas;
- círculos em fatias com cores e proporções diferentes: múltiplos riscos no mesmo local.
Quando os profissionais conseguem correlacionar a simbologia do mapa de risco, analisar o grau de risco a que estão expostos e o tipo de problema que podem encontrar, isso é intuitivo e rápido.
Assim, passam a identificar a necessidade de utilizar EPIs nos espaços e, também, os cuidados necessários na movimentação dentro dos ambientes. Com isso, reduzem-se os riscos para si e para os demais envolvidos nas atividades laborais.
Quais informações precisam estar presentes na sinalização de riscos?
O mapeamento obrigatoriamente deve incluir:
- círculos de tamanhos diferentes, apontando a gravidade do risco;
- cores, que apontam o tipo de risco;
- descrição gráfica de cada setor, para que o profissional possa localizar em qual ponto há o risco e seu grau de periculosidade. Para isso, seu ponto de partida deverá ser a planta do local. Nos casos em que não há a planta, pode-se optar por um croqui do local.
Qual a interação entre CIPA e Mapa de Riscos?
O processo de desenvolvimento e fixação do mapa é uma das atribuições da CIPA. Inclusive, vale destacar que a comissão interna não atua de maneira isolada e é essencial para atrair apoio e aumentar a percepção dos riscos junto aos colaboradores no dia a dia.
Como fazer um mapa de riscos?
O passo a passo é:
- Reunir a CIPA, o SESMT e os trabalhadores para mapear fluxos, máquinas e rotinas;
- Levantar e identificar agentes que representam perigos e classificá-los conforme o tipo;
- Avaliar a intensidade e o tempo de exposição para determinar o grau de impacto;
- Aplicar o código de cores e símbolos à planta baixa do local;
- Revisar o mapa de riscos por setor, fixar em local visível e treinar os colaboradores quanto à forma correta de interpretar o modelo.
Para que o mapa de riscos ocupacionais possa, de fato, ter os melhores resultados, é fundamental que seja bem elaborado. Isso porque falhas neste processo podem não abranger todos os pontos de vulnerabilidade para os profissionais, impedindo que eles evitem acidentes de trabalho.
Por exemplo, um profissional, ao verificar no mapa que há um risco de atropelamento no espaço, sempre estará atento em suas movimentações se houver um maquinário passando e, assim, agirá com maior cautela no dia a dia.
Por esse motivo, vamos mostrar a seguir dicas e informações que você precisa saber para elaborar e implementar o mapeamento.
1. Escolha um profissional responsável pelo mapeamento
Um primeiro passo é definir quem será o responsável por criar o mapa de risco. Ele assumirá todo o processo, mas não necessariamente precisa ser o único envolvido. É possível destinar colaboradores que auxiliem nas medidas, tornando a identificação mais fácil e eficiente.
2. Tenha atenção às diretrizes da NR responsável
O mapa é obrigatório segundo a NR 1, que traça as diretrizes necessárias para a criação do documento em seu negócio. É importante que o responsável esteja atento a essas questões, já que possíveis mudanças realizadas podem afetar os parâmetros utilizados.
A Norma Regulamentadora 1 (NR 1) passou por reformulações marcantes nos últimos anos. Enquanto as alterações de 2020/2021 modernizaram a gestão de SST, com o fim do antigo PPRA e a criação do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), as atualizações em vigor a partir de maio de 2026 avançaram para incluir perigos externos e combate ao assédio.
Alguns dos principais pontos de alteração foram:
- Obrigatoriedade da gestão de riscos psicossociais: inclusão de fatores como sobrecarga de trabalho, assédio, pressão excessiva por metas e estresse crônico dentro do inventário de riscos do PGR;
- Adoção de medidas contra assédio e violência: exigência de canais de denúncia, capacitações periódicas e protocolos internos de prevenção;
- Mapeamento de perigos externos e do entorno: consideração de riscos viários, ambientais ou de segurança urbana que afetem a rotina do trabalhador;
- Substituição definitiva do PPRA pelo PGR: consolidação de um gerenciamento dinâmico de riscos que vai além dos fatores físicos, químicos e biológicos;
- Digitalização e capacitação EAD/Semipresencial: simplificação do envio de dados de SST e flexibilização nos treinamentos;
- Diferenciação para MPEs (Graus de Risco 1 e 2): desobrigação de elaboração do PGR para micro e pequenas empresas que não apresentem riscos específicos.
Com esse último ponto, o modelo gráfico toma uma importância ainda maior, já que é necessário gerenciar todos os tipos de perigos existentes no ambiente laboral, incluindo os ergonômicos e os mecânicos no processo de proteção dos colaboradores. Segundo as diretrizes da nova NR 1, o PGR deve conter, no mínimo, dois documentos importantes:
- mapa de riscos ocupacionais;
- plano de ação.
Por isso, essa elaboração deve ser feita de forma consistente, a fim de auxiliar na promoção de uma maior proteção segundo a legislação vigente.
3. Atente para os requisitos mínimos exigidos na NR 1
Como falamos acima, as mudanças na NR 1 exigem alterações significativas na promoção de segurança, saúde e qualidade de vida no ambiente laboral.
Assim, as obrigações em sua elaboração são:
| Etapa / Requisito | O que exige a NR 1 | Foco Prático de Implementação |
| Escopo do Mapeamento | Mapeamento de perigos internos e externos/entorno | Avaliar a rotina do trabalhador no setor, em trânsito ou em atividades de campo. |
| Abrangência de Riscos | Riscos físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e psicossociais | Mapear sobrecarga de trabalho, assédio, estresse e fatores organizacionais. |
| Avaliação Ergonômica | Integração da Avaliação Ergonômica Preliminar (AEP) | Identificar exigências posturais e físicas conforme as diretrizes da NR 17. |
| Prevenção ao Assédio | Medidas contra violência e assédio moral/sexual | Manter canais anônimos de denúncia e ações educativas contínuas. |
| Classificação de Riscos | Matriz de risco com severidade e probabilidade | Definir critérios transparentes para nortear a prioridade do Plano de Ação. |
| Revisão e Validade | Atualização contínua + revisão a cada 2 anos | Reavaliar obrigatoriamente a cada 24 meses (ou 36 meses para certificadas em SST), ou após acidentes e mudanças no layout. |
Quanto mais completo for o documento, melhor ele norteará o plano de ação a ser elaborado na etapa posterior.
4. Apresente-o aos colaboradores da empresa
Além de ser um documento valorizado pelos órgãos fiscalizadores, segundo as diretrizes da NR 1, o mapeamento tem um papel educativo importante para os colaboradores, conscientizando-os dos principais pontos aos quais eles estão submetidos em suas atividades.
Assim, é importante que eles sejam apresentados ao mapa, com uma explicação dos elementos ali presentes. Por exemplo, os trabalhadores sujeitos a riscos biológicos em suas atividades devem ser conscientizados sobre esses pontos e acerca das medidas adotadas, tanto de prevenção quanto de contenção de problemas, caso ocorra algum tipo de acidente.
Isso pode ser feito por meio de um evento, como uma semana dedicada à prevenção de acidentes de trabalho, no momento de atos de treinamento ou por meio de palestras educativas, por exemplo, que permitam engajar trabalhadores com essas questões.
Além disso, o mapa deve estar presente e afixado em local de fácil visualização para todos os colaboradores que estão submetidos a problemas dessa natureza. Isso é fundamental para que o processo de conscientização ocorra de forma consistente e contínua.
5. Utilize a tecnologia a seu favor no processo
Se você é responsável pela Gestão de Saúde e Segurança do Trabalho, é recomendado utilizar a tecnologia para obter suporte inteligente no dia a dia. Soluções focadas nesse fim podem dar um norte importante para a análise de riscos.
Por exemplo, um sistema que aponte os principais motivos de afastamento de colaboradores por meio de acidentes de trabalho pode ser um indicativo importante de que há um risco de maior potencial naquele ambiente, sendo um norte fundamental para o responsável. Assim, ele pode avaliar o que está acontecendo e propor medidas de proteção no plano de ação.
Dessa maneira, um recurso que ofereça um Gerenciamento de Riscos Operacionais eficiente permite identificar ameaças de forma mais consistente, visualizando com maior clareza a situação atual. Isso é imprescindível para não deixar nenhum ponto de fora.
Por exemplo, o SOC oferece um módulo para a realização do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), que permite ao responsável mapear e gerenciar perigos aos quais os colaboradores estejam submetidos. Alguns dos diferenciais do nosso módulo de GRO são:
- matriz 5×5 de risco, que permite uma visão mais abrangente dos perigos do negócio, bem como a análise de novas possibilidades de combinações de probabilidades e de gravidades dos riscos;
- análise do histórico e projeções sobre determinado risco, com uma avaliação comparativa com outros riscos presentes;
- vinculação do módulo a dados de equipamentos de medição;
- facilidade para a emissão da sinalização de riscos;
- facilidade, também, para a elaboração posterior do plano de ação;
- adequação às novas regras das NRs.
Com o SOC, você terá todas as facilidades para o seu negócio, permitindo a adoção de medidas de proteção que vão além das exigências dos órgãos reguladores.
Agora que você sabe como fazer um mapa de riscos, é fundamental entender quais outras medidas de proteção podem ser utilizadas. Uma delas é implementar um programa de uso efetivo de EPIs. Saiba mais no artigo!
E não deixe de aproveitar e conhecer mais sobre gestão de riscos e segurança do trabalho nas empresas!
FAQ
Qual a diferença entre mapa de risco e PGR?
O PGR é um programa de gestão obrigatório exigido pela NR-1, abrangendo o inventário completo e o plano de ação de todos os riscos da empresa. O mapa é uma ferramenta gráfica complementar focada na comunicação visual rápida para os colaboradores no local de trabalho.
O mapa de risco ainda é obrigatório após as mudanças nas NRs?
O mapeamento em seu formato tradicional deixou de ser obrigatório com a nova redação da NR-5, mas a identificação de perigos e a comunicação clara do Inventário de Riscos (exigida pela NR-1 / PGR) permanecem obrigatórias. Porém, continua sendo o meio visual mais recomendado para cumprir essa exigência pedagógica.
Quem é responsável por elaborar o mapa de risco?
Tradicionalmente, o documento é elaborado pela CIPA em conjunto com os trabalhadores e o SESMT. Com a integração ao PGR, os profissionais habilitados em SST desenvolvem a análise técnica de riscos, enquanto a CIPA participa da identificação e validação da percepção dos perigos no ambiente.