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Como formar uma brigada de emergência eficiente (NR-23)?

14 de setembro de 2026

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Uma brigada de emergência eficiente é um dos principais elementos para reduzir os impactos de incêndios, acidentes e outras situações de emergência dentro de uma empresa. Mais do que simplesmente indicar funcionários para atuar em situações de risco, é necessário estabelecer critérios, capacitar os integrantes, definir responsabilidades e manter procedimentos de emergência atualizados. 

A NR-23 – Proteção Contra Incêndios estabelece medidas de prevenção e combate a incêndios nos ambientes de trabalho. A norma determina que as organizações adotem medidas de prevenção de incêndios em conformidade com a legislação estadual e, quando aplicável, com as normas técnicas oficiais. 

>> NR-23: A norma que diz sobre a proteção contra incêndios 

Desse modo, a formação de uma brigada de emergência deve estar integrada ao gerenciamento de riscos ocupacionais e às características específicas de cada estabelecimento. 

Mas afinal, como formar uma brigada de emergência eficiente? Quais profissionais devem participar, quais são suas responsabilidades e como garantir que estejam preparados para agir quando necessário? 

O que é uma brigada de emergência? 

A brigada de emergência é formada por trabalhadores capacitados para atuar preventivamente e em situações emergenciais dentro de uma organização. Dependendo das características da empresa, suas atribuições podem envolver prevenção e combate a princípios de incêndio, abandono de áreas, primeiros socorros e apoio às equipes externas de emergência. 

A composição da brigada não deve ser feita apenas com base na quantidade de funcionários. É necessário considerar fatores como tamanho da edificação, ocupação, distribuição dos ambientes, quantidade de pessoas, existência de produtos inflamáveis, processos realizados e nível de risco. 

A eficiência da brigada está diretamente relacionada à capacidade de seus integrantes reconhecerem uma situação de emergência, tomarem decisões rápidas e seguirem os procedimentos estabelecidos pela organização. 

Brigada de emergência e NR-23 

A NR-23 estabelece requisitos relacionados à prevenção contra incêndios nos locais de trabalho, mas a formação e o dimensionamento da brigada também precisam considerar as exigências estaduais e as normas técnicas aplicáveis. 

Isso significa que a empresa deve analisar não apenas o texto da NR-23, mas também as regulamentações do Corpo de Bombeiros da unidade federativa onde está localizada. 

Essa integração é importante porque os critérios para composição, treinamento, atribuições e dimensionamento podem variar de acordo com o estado e com as características da edificação. 

Por que a brigada de emergência é importante para a empresa? 

Em uma emergência, os primeiros minutos são fundamentais. Antes mesmo da chegada do Corpo de Bombeiros ou de outros serviços especializados, as pessoas que estão dentro da organização precisam saber como agir. 

Uma brigada bem preparada pode contribuir para a identificação inicial de um princípio de incêndio, acionamento dos sistemas de emergência, orientação para abandono seguro da edificação e prestação dos primeiros atendimentos, dentro dos limites de sua capacitação. 

Além de proteger trabalhadores e outras pessoas presentes no estabelecimento, uma estrutura eficiente de emergência ajuda a reduzir danos materiais e a evitar que uma ocorrência de menor proporção evolua para um acidente de maiores consequências. 

Por isso, a brigada não deve ser tratada como uma obrigação meramente documental. 

Ela precisa fazer parte da cultura de prevenção da organização. 

Como formar uma brigada de emergência eficiente? 

A formação de uma brigada eficiente começa antes do treinamento dos trabalhadores. O primeiro passo é compreender os riscos existentes no ambiente e estabelecer quais competências serão necessárias para responder adequadamente às situações de emergência. 

  1. Avalie os riscos e as características da empresa

Antes de escolher os brigadistas, a organização deve analisar seu ambiente de trabalho. 

É necessário observar características como número de trabalhadores, quantidade de ocupantes, área construída, quantidade de pavimentos, horários de funcionamento, atividades desenvolvidas, presença de produtos perigosos e possibilidades de incêndio ou outros tipos de emergência. 

Essa análise permite determinar quais situações devem ser contempladas no planejamento de emergência. 

Uma indústria química, por exemplo, apresenta necessidades diferentes de um escritório administrativo. Da mesma forma, uma unidade hospitalar possui características muito diferentes de um centro de distribuição. 

O gerenciamento de riscos como ponto de partida 

As informações existentes no PGR – Programa de Gerenciamento de Riscos podem contribuir para essa análise, especialmente na identificação dos perigos e das medidas de prevenção existentes. 

A brigada deve estar conectada ao sistema de gestão de SST da empresa, evitando que as ações de emergência sejam tratadas de maneira isolada. 

  1. Defina os critérios para escolha dos brigadistas

Depois de compreender os riscos, é necessário selecionar os trabalhadores que poderão integrar a brigada. 

A escolha deve considerar fatores como disponibilidade, capacidade de participação nos treinamentos, conhecimento do ambiente, facilidade de comunicação e disposição para assumir as responsabilidades relacionadas à função. 

Também é importante garantir uma distribuição adequada dos brigadistas pelos diferentes setores e turnos da empresa. 

Não adianta concentrar todos os integrantes da brigada em um único departamento se determinados setores permanecerão sem pessoas capacitadas durante parte da jornada. 

  1. Capacite os integrantes da brigada

O treinamento é uma das etapas mais importantes para garantir a eficiência da brigada. 

Os conteúdos devem estar alinhados aos riscos existentes e às exigências legais e normativas aplicáveis. Entre os conhecimentos que podem fazer parte da capacitação estão prevenção e combate a incêndios, identificação de situações de emergência, utilização de equipamentos de combate a incêndio, procedimentos de abandono, comunicação e primeiros socorros. 

A capacitação também deve considerar atividades práticas sempre que aplicável. 

Conhecer teoricamente um extintor não significa necessariamente saber utilizá-lo corretamente em uma situação real. Por isso, exercícios e simulações são importantes para transformar conhecimento em capacidade de resposta. 

Quais são as principais responsabilidades da brigada? 

As responsabilidades da brigada devem estar claramente definidas no plano de emergência da organização. 

Entre suas atividades podem estar a identificação de situações de risco, comunicação de emergências, orientação dos trabalhadores durante uma evacuação, atuação inicial diante de princípios de incêndio e prestação de primeiros atendimentos, de acordo com o treinamento recebido. A brigada também pode desempenhar uma importante função preventiva. 

Atuação preventiva 

A prevenção deve fazer parte da rotina dos brigadistas. 

Isso pode envolver a observação das condições dos equipamentos de combate a incêndio, identificação de situações que possam dificultar uma evacuação e comunicação de condições inseguras aos responsáveis pela empresa. 

Rotas de fuga obstruídas, portas de emergência inadequadas, sinalização deficiente ou equipamentos sem condições adequadas de utilização são exemplos de situações que precisam ser identificadas e tratadas. 

A brigada, portanto, não deve aparecer apenas quando ocorre uma emergência. 

A importância dos simulados de emergência 

Uma brigada pode receber treinamento e ainda assim apresentar dificuldades durante uma emergência se nunca tiver praticado os procedimentos. É por isso que os simulados são fundamentais. 

Durante um exercício, a empresa consegue verificar se os trabalhadores conhecem as rotas de fuga, se os responsáveis conseguem desempenhar suas funções e se os meios de comunicação funcionam adequadamente. 

Os simulados também ajudam a identificar falhas que poderiam passar despercebidas durante uma análise exclusivamente documental. 

O que avaliar após um simulado? 

Após cada exercício, é recomendável realizar uma avaliação dos resultados. 

A empresa pode verificar o tempo de abandono, comportamento dos trabalhadores, dificuldades encontradas, problemas de comunicação, obstáculos nas rotas de fuga e atuação dos brigadistas. 

Transforme as falhas em melhorias 

O objetivo de um simulado não deve ser simplesmente registrar que o procedimento foi realizado. As informações encontradas precisam gerar ações de melhoria. 

Se os trabalhadores tiveram dificuldade para identificar uma saída de emergência, por exemplo, pode ser necessário revisar a sinalização. Se determinado setor não recebeu o alerta adequadamente, o sistema de comunicação deve ser reavaliado. Esse processo transforma o simulado em uma ferramenta de melhoria contínua. 

Como manter a brigada preparada? 

A eficiência da brigada depende da manutenção de sua capacidade de resposta. 

Treinamentos, reciclagens, simulados, atualização dos procedimentos e mudanças na composição da equipe precisam ser acompanhados continuamente. 

A saída de um brigadista, mudança de função, alteração de layout ou expansão da empresa pode exigir uma nova avaliação da estrutura existente. 

Por isso, é importante manter registros atualizados dos integrantes, treinamentos realizados e demais informações relacionadas à brigada. 

Tecnologia na gestão da brigada de emergência 

A tecnologia pode facilitar significativamente esse processo. 

Em vez de controlar treinamentos, certificados, documentos, vencimentos e informações dos trabalhadores em planilhas ou arquivos dispersos, a empresa pode utilizar sistemas especializados para centralizar essas informações. 

Uma gestão digital permite acompanhar prazos, identificar pendências e facilitar o acesso aos registros necessários para auditorias e processos internos. 

Para empresas com muitos colaboradores ou diversas unidades, esse controle se torna ainda mais importante. 

Quais erros devem ser evitados na formação da brigada? 

Um dos principais erros é tratar a brigada como uma obrigação exclusivamente documental. Ter uma lista de nomes e certificados não significa que a organização esteja realmente preparada para uma emergência. 

Outro problema é escolher brigadistas sem considerar a distribuição dos trabalhadores pelos setores e horários. Também é inadequado deixar de realizar simulados ou não atualizar os procedimentos depois de mudanças na estrutura da empresa. 

A falta de integração entre a brigada, o SESMT, a gestão de SST e os demais responsáveis pela emergência também pode comprometer a resposta. 

Uma brigada eficiente precisa fazer parte de um sistema maior de prevenção. 

Brigada de emergência deve fazer parte da cultura de segurança 

A formação de uma brigada de emergência eficiente exige muito mais do que cumprir uma exigência normativa. É necessário conhecer os riscos, selecionar adequadamente os integrantes, proporcionar capacitação, realizar exercícios práticos e manter os procedimentos constantemente atualizados. 

A NR-23 representa uma parte importante desse processo, mas a organização também precisa observar as regulamentações estaduais, as exigências do Corpo de Bombeiros e as demais normas técnicas aplicáveis à sua realidade. 

Quando a brigada é integrada ao gerenciamento de riscos ocupacionais e à cultura de segurança da empresa, sua atuação deixa de ser apenas uma resposta a emergências e passa a contribuir efetivamente para a prevenção. 

Checklist para uma brigada de emergência eficiente 

Antes de considerar a estrutura pronta, a empresa deve verificar se: 

  • Os riscos de emergência foram identificados; 
  • Os integrantes da brigada foram adequadamente selecionados; 
  • O dimensionamento atende às características da ocupação e à legislação aplicável; 
  • Os brigadistas receberam treinamento adequado; 
  • As responsabilidades estão claramente definidas; 
  • As rotas de fuga e equipamentos de emergência são conhecidos; 
  • Os procedimentos de emergência estão documentados e atualizados; 
  • Simulados são realizados periodicamente; 
  • Os resultados dos exercícios são avaliados; 
  • Treinamentos, registros e vencimentos são acompanhados. 

A brigada também é parte estratégica da gestão de SST 

Formar uma brigada de emergência eficiente conforme a NR-23 significa criar uma estrutura preparada para prevenir ocorrências e responder rapidamente quando uma situação de emergência acontecer. 

O processo começa pela avaliação dos riscos e passa pela seleção e capacitação dos brigadistas, definição de responsabilidades, realização de simulados e acompanhamento contínuo da estrutura. 

Mais do que cumprir uma exigência, investir em uma brigada preparada significa fortalecer a prevenção, aumentar a capacidade de resposta da organização e contribuir para a proteção de trabalhadores, visitantes e patrimônio. 

Por isso, a brigada deve ser encarada como parte estratégica da gestão de Saúde e Segurança do Trabalho, integrada aos demais processos de prevenção e preparada para atuar de forma coordenada quando cada segundo fizer diferença. 

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