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Como a depressão afeta a produtividade no trabalho?

2 de setembro de 2019

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De repente, já não há mais ânimo para sair da cama. Enfrentar o trânsito para chegar ao trabalho é um problema enorme. Falamos da depressão, doença que afeta a vida pessoal, social e profissional.

A depressão é uma doença de transtorno mental muito comum entre nós seres humanos. Por conta dos percalços do dia a dia, do cotidiano insano dentro e fora do ambiente de trabalho e as frustrações constantes, cada vez mais sabemos de casos de depressão próximos a nós.

Por conta disso, essa é a 4ª doença de maior impacto global. Ou seja, uma das que mais afetam os indivíduos. Em 2020, estima-se que será a 2ª, perdendo apenas para as doenças cardíacas.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 340 milhões de pessoas sofrem de depressão ao redor do planeta. Só no Brasil, pelo menos 13 milhões de indivíduos são acometidos pela doença.

O risco da ocorrência da doença ao longo da vida é de 10% para homens e 15% para mulheres, e provavelmente está relacionada a uma alteração do metabolismo cerebral, e não ligada diretamente a um fator desencadeante, ou seja, um acontecimento isolado que gere tristeza ou angústia.

Geralmente, a somatória de eventos desgastantes pode ser causadora dos sintomas.

Mas afinal, como a depressão dá as caras no ambiente de trabalho?

Não é de uma hora para a outra. Lembra que mencionamos os diversos fatores? Então! Pode ser que a própria situação profissional seja uma das causas para a doença, mas não a única.

Conforme o Ministério da Saúde, o estresse crônico, as disfunções hormonais, o uso excessivo da Internet e de redes sociais, eventos traumáticos, dentre outros problemas, são fatores de risco para o aparecimento da doença.

As pessoas com depressão costumam apresentar quadros de falta de motivação e desânimo, além de tristeza crônica. Esses sintomas aparecem tanto dentro de casa quanto nas empresas.

É neste momento que o funcionário vê a sua produtividade diminuir. Pois não encontra ânimo para fazer atividades consideradas, até mesmo, corriqueiras.

 Causas e Sintomas

Motivada por diferentes fatores, sejam esses biológicos, psicológicos ou sociais, a doença pode ser, também, resultado de um ritmo frenético do século em que vivemos. No ambiente de trabalho, a busca constante pelo cumprimento de metas e o clima organizacional de pressão contribuem, muitas vezes, para o aparecimento do transtorno.

A depressão é caracterizada por alguns sintomas como insônia ou sono em excesso, falta de ânimo e energia, dificuldade para se concentrar, vontade de ficar sozinho, desinteresse em atividades prazerosas, desesperança, má alimentação, entre outros.

O corpo físico também sofre com sintomas da depressão, como dores musculares, dores na coluna, cefaleia, dores epigástricas, entre outras. Com a ocorrência da doença, o bem-estar e as relações sociais e profissionais acabam sendo abaladas.

No caso do ambiente de trabalho, este pode ser um potencial gerador da doença e desses sintomas. Uma vez que a cobrança, a competitividade e muitas vezes uma má gerência, pode acumular-se e provocar a frustração no indivíduo e o desenvolvimento da doença.

Como a depressão afeta o trabalhador?

Como já mencionado, independentemente da causa que leva à ocorrência da doença, a depressão é uma condição que acompanha todos os lugares. E permanece junto à pessoa em todos os momentos, seja quando está no meio familiar, profissional, estudantil, etc.

No ambiente de trabalho, local que exige concentração, produtividade, entrega de qualidade e confraternização com outro colegas, a doença torna-se um desafio para essas simples atividades.

O fato de ter que sair para o trabalho, ter que ver outras pessoas e, de alguma forma, dialogar com elas já parece ser um incômodo para quem tem depressão.

Dessa forma, pode-se observar facilmente como essa doença impacta no desempenho do profissional. Os profissionais com depressão costumam ter as seguintes características:

  • atrasos frequentes,
  • dificuldade em reter e compreender informações,
  • memória falha,
  • percalços para executar tarefas,
  • desânimo para agir em sua função rotineira,
  • falta de iniciativa,
  • faltas frequentes, entre outros problemas.

Geralmente, o raciocínio é bastante abalado, ficando lento conforme o quadro se agrava. E por não conseguir armazenar os dados em sua memória, tem mais dificuldade em:

  • tomar decisões,
  • se concentrar,
  • se organizar
  • planejar suas tarefas.

Nesse quadro, não é incomum que as pessoas com a doença recebam advertências, sejam tratadas como “preguiçosas” ou, em alguns casos, até demitidas.

Falta de apoio dentro da empresa

Muitas vezes, os chefes e donos de empresas não enxergam que esse é um problema patológico e acabam considerando que o funcionário está com preguiça, desinteresse pela empresa ou “corpo mole”. Todos esses sintomas geram um ciclo vicioso que só piorará o quadro depressivo.

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Com o passar do tempo e a ocorrência de problemas no ambiente de trabalho, a frustração agrava ainda mais os sintomas, e o afastamento de colegas é uma consequência bastante negativa. Como decorrência, a demissão acaba sendo o destino de muitas pessoas com depressão no ambiente de trabalho. Uma vez que a depressão ainda não é considerada uma doença séria pela maioria das pessoas, mas sim vista como “frescura”.

Segundo estudos já realizados sobre o impacto da doença no cotidiano das pessoas, o indivíduo com depressão perde pelo menos 35 dias ao ano. Tudo por conta dos sintomas que o impedem de executar simples tarefas. Ficando com sua capacidade social e produtiva prejudicada em até 90%. Ou seja, os prejuízos sociais e profissionais são bastante graves.

Impacto para as empresas

Apesar de essa ser uma doença e ser algo totalmente involuntário por parte do indivíduo, a empresa acaba tendo prejuízos devido à condição do funcionário.

Só nos Estados Unidos, a depressão gera anualmente custos que somam U$ 250 bilhões para as empresas. Decorrentes do seguro saúde que deve ser mais amplo, faltas recorrentes que prejudicam as atividades etc.

O presenteísmo, ou seja, a queda de produtividade no local de trabalho, é o responsável por 50% destes custos. Acompanhado do absenteísmo, que é a rotatividade dos funcionários, gerando gastos com rescisões e novas contratações.

Grande desafio

Por ser uma doença considerada pelas pessoas como algo passageiro ou até mesmo uma simples tristeza repentina, o grande desafio está no diagnóstico da doença.

O diagnóstico, assim como na maioria das doenças, é o primeiro passo para o tratamento da doença. Quanto mais cedo ele acontecer, mais cedo o trabalhador terá sua autoestima, seu bem-estar e, consequentemente, sua carreira gerando frutos novamente.

O problema é que muitas pessoas que portam a doença, não conseguem atentar-se aos sintomas como um sinal de alerta. Acham que é algo pontual, passageiro, que irá passar em poucos dias. Outros até conhecem os sintomas e os identificam, porém têm dificuldade em assumir a doença.

A grande maioria só consegue chegar à conclusão de que possuem depressão e que a doença é a responsável por estar atrapalhando sua vida profissional e social. Descobrem quando estão fazendo o acompanhamento psicológico.

Tratamentos indicados

Assim, os profissionais farão sessões para identificar a doença e prescrever o tratamento adequado. Geralmente, são passados alguns medicamentos e o retorno constante à terapia.

Além disso, é recomendado que se faça exercícios físicos. Pois eles liberam a endorfina, substância que favorece o aparecimento de sentimentos mais alegres.

Outra tarefa importante diz respeito às empresas. Que devem ter consciência de que essa é um problema cada vez mais comum em nosso mundo atual, principalmente no ambiente corporativo. É preciso investir em programas de saúde mental nas empresas, focando principalmente no diagnóstico da depressão.

O que as empresas podem fazer para identificar ou reverter a situação?

É preciso entender que depressão, assim como outros transtornos mentais, são mais frequentes em ambientes de trabalho onde não há uma comunicação eficaz.

O trabalhador, nesse caso, não precisa apenas de equipamentos de segurança e de estrutura física nas empresas. E sim de um contexto que contribua para a qualidade de vida.

Apesar disso, na busca por resultados a todo custo, muitas empresas ainda ignoram a necessidade constante de oferecer ao trabalhador treinamentos. Possibilidade de crescimento e expressão de ideias e propostas.

Algumas organizações, por exemplo, não notificam o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) quando o trabalhador é afastado. Principalmente quando precisam preencher a CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho). Trata-se do documento pelo qual há o reconhecimento de que a doença ou o acidente aconteceu em decorrência do exercício profissional.

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