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Saúde mental no trabalho: como se preparar para a NR-1?

21 de outubro de 2026

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O desgaste profissional costuma dar sinais muito antes de virar atestado médico. Afinal, pressão excessiva, jornadas exaustivas e relações difíceis podem prejudicar bastante a saúde do colaborador e comprometer os resultados da empresa. Por isso, cuidar da saúde mental no trabalho exige transformar a rotina, prevenir riscos e melhorar as condições do dia a dia. 

Os números mostram a dimensão do problema. Segundo levantamento da Fundação Getulio Vargas (FGV), 1 em cada 5 trabalhadores convive com quadro ansioso, insônia ou fadiga. Os afastamentos também chamam atenção: em 2025, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) concedeu 166.489 benefícios por transtornos de ansiedade e 126.608 por episódios depressivos.

Por essas razões, discutir saúde mental no trabalho envolve mais do que oferecer ações de bem-estar. É preciso reconhecer fatores que afetam os trabalhadores, acompanhar seus efeitos e estruturar medidas de prevenção. Com a atualização da NR-1, esse cuidado ganhou novos critérios para a gestão dos riscos psicossociais.

Para entender as novas exigências da norma e como preparar a empresa, continue a leitura!

O que a NR-1 diz sobre a saúde mental no trabalho?

A NR-1 determina que a gestão de riscos ocupacionais considere condições capazes de afetar a saúde dos trabalhadores, incluindo fatores relacionados à organização do trabalho. Na prática, a avaliação envolve aspectos como sobrecarga, pressão excessiva, assédio e outras condições que podem contribuir para o adoecimento.

No entanto, a exigência ganhou novos contornos com a atualização do capítulo 1.5 da NR-1, que passou a prever expressamente a identificação e o gerenciamento dos fatores psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). A nova lei sobre saúde mental no trabalho amplia a avaliação das condições de trabalho e traz novas responsabilidades para as empresas.

Entender o que a NR 1 diz sobre a saúde mental no trabalho ajuda a delimitar o que precisa ser observado na prática. A partir dessa exigência, também é importante reconhecer o que pode acontecer quando esses cuidados ficam de lado.

A atualização da NR-1 trouxe os riscos psicossociais para o centro da gestão de SST. Mas o que muda, na prática, para as empresas? No vídeo, você confere os principais pontos da norma, entende as novas exigências e descobre como preparar a gestão para esse cenário.

Quais são os impactos de não cuidar da saúde mental no trabalho?

Os efeitos aparecem nas duas pontas. Para a empresa, o custo se traduz em mais  afastamentos, queda na produtividade, presenteísmo e alta rotatividade. Para o colaborador, o desgaste gera sofrimento psíquico, atritos relacionais e queda drástica na qualidade de vida dentro e fora do trabalho. 

Sem ações preventivas, as consequências pesam de maneira diferente para a empresa e para os trabalhadores. Entenda os reflexos em cada frente: 

Impacto Para a empresa Para os trabalhadores
Afastamentos Ausências frequentes quebram o fluxo de trabalho, demandam reorganização constante e reduzem a eficiência das operações O adoecimento pode levar ao afastamento das atividades profissionais e comprometer a rotina.
Produtividade Queda no rendimento pode afetar entregas, resultados e qualidade do trabalho. Cansaço, dificuldade de concentração e sofrimento psicológico podem prejudicar o desempenho.
Presenteísmo O colaborador cumpre a jornada, mas opera abaixo de sua capacidade, reduzindo a eficiência e a entrega da equipe.  A pessoa trabalha mesmo sem estar em boas condições físicas ou psicológicas.
Rotatividade Mais desligamentos aumentam custos de substituição, recrutamento e treinamento. A troca frequente de emprego pode afetar estabilidade, relações profissionais e trajetória na carreira.
Relações de trabalho Conflitos e problemas de convivência podem prejudicar o ambiente e a colaboração entre equipes. Relações desgastadas podem aumentar o estresse e afetar a experiência no trabalho.
Qualidade de vida Problemas recorrentes podem comprometer o clima organizacional e exigir novas medidas de gestão. O sofrimento relacionado ao trabalho pode ultrapassar o ambiente profissional e afetar a vida pessoal.

Reconhecer os impactos do descuido com a saúde mental no trabalho reforça a importância de agir antes que o adoecimento aconteça. Para prevenir esses efeitos, é preciso identificar quais condições podem afetar a saúde dos profissionais e como avaliá-las.

Como identificar e avaliar os riscos psicossociais?

O mapeamento começa pela análise das condições e da organização do trabalho. A empresa deve observar situações que possam afetar a saúde dos profissionais, identificar a exposição aos riscos e registrar os resultados no gerenciamento de riscos ocupacionais. A análise também deve considerar a frequência, intensidade e duração dessas situações.

Para um levantamento preciso, analise fatores como:

  • sobrecarga de trabalho e pressão excessiva;
  • metas abusivas e cobrança constante;
  • jornadas extensas ou horários inadequados;
  • assédio moral ou sexual;
  • falta de autonomia para realizar as atividades;
  • conflitos nas relações profissionais;
  • baixo suporte da liderança;
  • insegurança sobre as condições de trabalho.

 

Com os riscos psicossociais mapeados, a empresa deve avançar para medidas que promovam a saúde mental no trabalho.

Identificar os riscos é apenas uma parte da gestão. Quer entender como a IA pode apoiar esse processo? Leia também: Utilize a Inteligência Artificial para mapear riscos ocupacionais.

Como promover a saúde mental no trabalho?

O passo a passo inclui sete etapas que organizam a prevenção e o acompanhamento:

  1. Fazer um diagnóstico organizacional;
  2. Desenvolver políticas de saúde mental;
  3. Conscientizar colaboradores e líderes;
  4. Promover a interação entre os colaboradores;
  5. Adaptar o trabalho para prevenção;
  6. Oferecer recursos para a empresa;
  7. Monitorar os resultados.

 

Cada etapa cumpre uma função na construção de uma estratégia contínua. Entenda, a seguir, como aplicá-las.

1. Faça um diagnóstico organizacional

O primeiro passo é entender como as condições de trabalho afetam os profissionais. Nesse contexto, o diagnóstico permite reconhecer pontos de atenção, identificar desafios e definir medidas de prevenção conforme a realidade da empresa.

A avaliação também deve considerar os fatores psicossociais relacionados à organização do trabalho, como sobrecarga, pressão e relações profissionais.

2. Desenvolva políticas de saúde mental

No Brasil, as políticas de saúde mental têm como base a Lei nº 10.216/2001, que orienta o cuidado em liberdade e a proteção dos direitos das pessoas com transtornos mentais. No SUS, esse atendimento se organiza por meio da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).

No ambiente corporativo, a empresa pode estruturar medidas próprias de prevenção e apoio, como programas de assistência, atendimento psicológico, canais de acolhimento e flexibilidade no trabalho. Essas iniciativas precisam dialogar com os riscos identificados e integrar a gestão contínua.

3. Conscientize colaboradores e líderes

Falar sobre saúde mental no trabalho também faz parte da prevenção. Nesse sentido, treinamentos e workshops ajudam a ampliar o conhecimento sobre o tema e reduzir o estigma, enquanto a capacitação da liderança favorece o reconhecimento de sinais de sofrimento e o encaminhamento adequado.

4. Promova a interação entre os colaboradores

Um ambiente aberto ao diálogo facilita o compartilhamento de preocupações e a busca por apoio. Cabe à liderança aproximar as equipes, estimular relações de confiança e incentivar o equilíbrio entre vida pessoal e profissional.

5. Adapte o trabalho para prevenção

A prevenção não depende apenas de ações voltadas diretamente ao bem-estar. A própria organização do trabalho precisa entrar nessa análise, com atenção à carga de atividades, à rotina, aos feedbacks e às condições que podem contribuir para o adoecimento.

6. Ofereça recursos para a empresa

Com as necessidades identificadas, a empresa pode complementar as medidas com atividades de bem-estar, benefícios, espaços de descanso e incentivo a hábitos saudáveis. No entanto, a escolha dos recursos deve acompanhar a realidade dos trabalhadores, sem substituir as ações sobre os riscos ocupacionais.

7. Monitore os resultados

Por fim, o acompanhamento mantém o ciclo em funcionamento. Indicadores, registros e percepções dos trabalhadores mostram os efeitos das medidas adotadas e ajudam a identificar pontos que precisam de revisão.

Mas colocar essas medidas em prática não significa fazer uma ação isolada e encerrar o assunto. A diferença está na continuidade do acompanhamento e na relação entre as medidas adotadas.

Veja como ações pontuais se diferenciam de uma gestão contínua de saúde mental no trabalho.

Ações pontuais Gestão contínua de saúde mental no trabalho
Campanhas em datas específicas. Programa permanente de prevenção.
Palestras isoladas. Treinamentos recorrentes.
Atividades de relaxamento. Medidas sobre organização do trabalho.
Pesquisa aplicada uma vez. Monitoramento periódico de indicadores.
Atendimento após um problema. Canais de apoio e acompanhamento.
Ação sem relação com o diagnóstico. Medidas definidas a partir dos riscos identificados.

A diferença mostra que, para entender como promover a saúde mental no trabalho, a empresa precisa ir além de iniciativas isoladas e manter uma gestão contínua. Como parte dessa responsabilidade, negligenciar as normas de saúde e segurança expõe a empresa a fiscalizações, multas e penalidades administrativas.

O mesmo cuidado se aplica aos profissionais em home office.

Como acompanhar a saúde dos profissionais no home office?

Em parceria com o Dr. Gustavo Nicolai, o SOC, Software de Saúde e Segurança do Trabalho, criou um Modelo de Questionário de Autoavaliação de Saúde. O objetivo é auxiliar os clientes SOC a monitorar a saúde dos funcionários, principalmente os que trabalham em casa.

Esse questionário pode ser usado para identificar, de forma rápida e eficaz, os aspectos de saúde mental relacionados ao teletrabalho, avaliando desde as condições físicas, psicológicas até ergonômicas das atividades.

Por meio da análise das respostas, é possível identificar problemas importantes e direcionar a tomada de decisões da empresa.

Ficou com dúvida se essa avaliação é obrigatória para o home office? A gente explica no vídeo abaixo. 

Saúde mental no trabalho: gestão e conformidade com o SOC!

A tecnologia simplifica a gestão da saúde mental no trabalho ao centralizar informações, organizar registros e facilitar o monitoramento das medidas adotadas. Com um sistema de SST, a empresa também reduz a dependência de controles dispersos e ganha mais suporte para acompanhar as exigências da NR-1.

O SOC reúne mais de 300 funcionalidades em uma única plataforma e conta com recursos para GRO e PGR e Riscos Psicossociais, além de ferramentas para indicadores, documentos e gestão de SST. O sistema também integra processos relacionados ao eSocial e oferece atualizações constantes sem custo extra.

Com mais de 25 anos de mercado, o SOC atende empresas com SESMT e prestadores de serviços em uma plataforma em nuvem. A solução também conta com certificações ISO 27001 e ISO 27701, além de recursos como SIA, SOC Digital e SOCNET.

Para estruturar a gestão de SST, acompanhar os riscos psicossociais e manter a documentação organizada, solicite uma proposta do SOC.

FAQ

Qual é a melhor metodologia para avaliar a saúde mental no trabalho? 

Não existe uma metodologia única ideal, já que a escolha depende das características de cada empresa. Entre as mais utilizadas estão o COPSOQ III, o HSE-IT e o PROART. Para facilitar, o SOC já oferece esses modelos configurados e, além disso, permite personalizar o formulário conforme a necessidade.

Quando as novas regras na NR-1 passam a valer?

As novas disposições entraram em vigor em 26 de maio de 2026, após a prorrogação prevista pela Portaria MTE nº 765/2025. A partir dessa data, os fatores de riscos psicossociais relacionados ao trabalho passaram a integrar expressamente o GRO, conforme a nova redação do capítulo 1.5.

Quais são os principais fatores psicossociais de risco?

Os principais são excesso de demandas, sobrecarga, assédio, falta de suporte, jornadas extensas, pressão excessiva, metas incompatíveis, conflitos e baixa autonomia. A avaliação deve considerar a organização e as condições de trabalho, já que os riscos psicossociais estão relacionados à forma como as atividades são planejadas, distribuídas e gerenciadas.

Quais são as consequências para a empresa que não se adequar?

A empresa que descumprir as normas de segurança e saúde do trabalho pode ser fiscalizada e sofrer penalidades administrativas. No caso das novas exigências da NR-1, a fiscalização considera a identificação, avaliação e gestão dos riscos ocupacionais. A NR-28 estabelece os procedimentos de fiscalização e as penalidades aplicáveis.

De quem é a responsabilidade pela saúde mental no ambiente corporativo?

É da organização, que deve identificar, avaliar e controlar os riscos ocupacionais relacionados ao trabalho. A participação dos trabalhadores também integra o processo, especialmente na identificação dos fatores de risco e na adoção das medidas preventivas. A liderança participa da gestão, mas não substitui a responsabilidade empresarial.

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